A campanha presidencial de Fernando Haddad em 2018, foi oficializada a candidato a presidente pelo Partido dos Trabalhadores (PT) na eleição presidencial de 2018, após o Tribunal Superior Eleitoral indeferir a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva.
Em 2017, Lula anunciou publicamente que seria novamente o candidato do PT à presidência da República. Em setembro daquele ano, saiu em caravana pelos estados do Brasil. Mesmo após a prisão em abril de 2018, o PT insistiu e manteve Lula como candidato do partido à presidência. Em 3 de julho de 2018, foram anunciados os membros da coordenação da campanha presidencial: o ex-presidente da Petrobrás José Sergio Gabrielli (coordenador-geral-executivo), os ex-ministros Ricardo Berzoini (finanças), Luiz Dulci e Gilberto Carvalho; e o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto. Na ocasião, Fernando Haddad foi escolhido como coordenador-geral do programa Lula de governo
Em 5 de agosto de 2018, o PT oficializou a candidatura de Lula em São Paulo. O vice indicado na chapa presidencial foi Haddad, que representou Lula em eventos e debates. Na provável inelegibilidade de Lula, Haddad assumiria a cabeça da chapa, tendo como vice a deputada gaúcha Manuela d’Ávila.
Em 16 de agosto, depois que a maioria dos ministros do TSE declarou que a “inelegibilidade [de Lula como candidato é incontroversa”, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, enviou uma impugnação contra a candidatura tendo como base a Lei da Ficha Limpa, que considera inelegíveis candidatos condenados em segunda instância, apesar de o Comitê de Direitos Humanos da ONU ter manifestado-se a favor da candidatura de Lula.
Em 11 de setembro PT anunciou oficialmente que Haddad seria o novo candidato do partido nas eleições presidenciais de 2018.[10][11][12] Uma carta de Lula, foi lida por Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado e um dos fundadores do PT em frente a sede da Polícia Federal.
No dia 11 de outubro de 2018, o PT anunciou que o ex-ministro Jaques Wagner seria o novo coordenador da campanha petista.
Plano de governo
O Plano de Governo de Fernando Haddad segue a mesma linha da proposta apresentada pelo antecessor, o candidato Lula, impugnado pela Justiça Eleitoral. Na área da saúde pretende ampliar o programa Mais Médicos com o programa Mais Médicos Especialistas.
Em 26 de setembro, assinou um termo de compromisso com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes, e combate à mortalidade infantil.
Em 28 de setembro, fez a defesa de propostas como a revogação do teto de gastos públicos aprovado no governo Michel Temer, e defendeu a volta de impostos sobre lucros e dividendos. Propõe introduzir regras para que o Banco Central seja obrigado a regular os juros que o consumidor e empresário pagam para o sistema bancário, sobretudo o sistema privado. Dentre as propostas estão a de voltar a política de preços dos combustíveis ao modelo adotado entre 2003 e 2012, impedir a junção da Embraer com a Boeing e impedir quaisquer privatizações.
Para a segurança propõe destinar contingente de policiais federais para apoiar os estados no combate a organizações criminosas. Em relação ao combate à corrupção, Haddad, afirma que, enfrentar a corrupção exige “combate permanente à impunidade de corruptores e corruptos e enfrentar uma cultura histórica de apropriação do público pelos interesses privados”, sugerindo que deve-se reforçar medidas de fortalecimento dos órgãos de controle.
No dia 9 de outubro, após o primeiro turno, Haddad diz estar “aberto” a incorporar propostas de Ciro Gomes no programa de governo, após se reunir com os governadores Wellington Dias (PT-PI), Camilo Santana (PT-CE), Rui Costa (PT-BA) e Flávio Dino (PCdoB-MA) em São Paulo. Em uma entrevista ao Jornal Nacional, pouco após a votação do primeiro turno, Haddad disse que desistiu do plano de convocar uma nova Assembleia Constituinte, como dizia o seu plano de governo do primeiro turno.
Em 18 de outubro, a campanha de Fernando Haddad, apresentou novo plano de governo ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nessa versão, o partido retira a proposta de uma nova Constituinte no país, inclui a “perspectiva” de apoio a reformas na área fiscal, e critica o PSDB por ataques ao oponente Jair Bolsonaro (PSL). Além disso, há recuos em propostas de reforma para o sistema Judiciário e programas relacionados à comunidade LGBT.
Apoios
Logo após o primeiro turno, no dia 9 de outubro, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) juntamente com o ex-presidenciável Guilherme Boulos declararam apoio a Haddad no segundo. Em nota oficial, o partido disse que a “tarefa centra” seria “derrotar Bolsonaro” e a revogação das medidas de Temer:
O PSOL apoiará, a partir de agora, a candidatura de Haddad e Manuela, mesmo mantendo diferenças políticas e preservando nossa independência. Convocamos toda a nossa militância a tomar as ruas para continuar dizendo em alto e bom som: ele não!
— Nota do PSOL
O Partido Socialista Brasileiro (PSB) também formalizou o apoio a chapa de Haddad, segundo o presidente do partido, Carlos Siqueira, propôs que se formasse uma “frente democrática contra uma candidatura que representa o extremo oposto da candidatura das forças democráticas”. No dia 15 de outubro, a frente de apoio a Haddad foi lançado numa carta divulgada após uma reunião em Brasília. Além do PT, participaram integrantes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e do Partido Republicano da Ordem Social (PROS), que fazem parte da coligação de Haddad, e do Partido Comunista Brasileiro (PCB), PSB e PSOL, que havia anunciado apoio a Haddad na semana anterior.
No dia 22 de outubro, Marina Silva declarou apoio crítico a Haddad, pois este “não prega a extinção dos direitos”, nem a repressão aos movimentos. “A política democrática deve estar fortemente aliançada no respeito à Constituição e às instituições, exercida em um ambiente de cultura de paz e não violência”, disse. Dois dias depois, o ex-governador de São Paulo e ex-presidente do PSDB Alberto Goldman publicou um vídeo através da rede social Facebook anunciando que votará em Haddad. Segundo o próprio, a decisão se dá porque o candidato Jair Bolsonaro “passou dos limites aceitáveis no ultimo domingo, com um discurso que nos traz de volta os momentos mais dramáticos da nossa história”.
Alguns dias antes do segundo turno, diversas personalidades da mídia e artistas declararam apoio a Haddad, incluindo o cartunista Ziraldo, músicos como Chico Buarque, Arnaldo Antunes, Caetano Veloso, Marcelo D2, Zélia Duncan, Martinho da Vila, Gal Costa, Gilberto Gil, Daniela Mercury, Emicida, Criolo, Mart’nália, Mano Brown, entre outros. Além deles, Humberto Carrão, Camila Pitanga, Antonio Pitanga, Clarice Falcão, Marcelo Serrado também declararam apoio ao candidato do PT.
No dia 27 de outubro, véspera do segundo turno, o jurista e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa declarou através do Twitter o voto em Haddad, afirmando que após 32 anos de direito ao voto, um candidato inspiraria medo:
Votar é fazer uma escolha racional. Eu, por exemplo, sopesei os aspectos positivos e os negativos dos dois candidatos que restam na disputa. Pela primeira vez em 32 anos de exercício do direito de voto, um candidato me inspira medo. Por isso, votarei em Fernando Haddad.
— Publicação de Barbosa no Twitter
Além de Joaquim Barbosa, outras personalidades declararam apoio a Haddad na véspera das eleições, inclusive o ex-procurador-Geral Rodrigo Janot e o youtuber Felipe Neto.